“Não compartilho meus pensamentos achando que vou mudar a cabeça de pessoas que pensam diferentemente. Compartilho meus pensamentos para mostrar às pessoas que já pensam como eu, que elas não estão sozinhas.” (autor não identificado)

08/01/2018

Paralelo entre o Absolutismo e a relação do político brasileiro com o poder

Há cerca de sete anos publiquei esse texto, no entanto por parece-me atualíssimo o estou republicando.

O Brasil foi descoberto num período em que Portugal e os principais países europeus viviam sob o absolutismo monárquico. Não obstante ter surgido como nação no ocaso dessas monarquias absolutistas, o relacionamento íntimo que o país teve com a corte portuguesa o fez herdar o que de mais tenebroso havia no regime absolutista português: a relação promíscua com o Poder.
Pintura retratando a chegada dos Portugueses ao solo brasileiro.
A alta burguesia brasileira adotou, por lhe ser extremamente conveniente, essa aberração e manteve o que podemos chamar servilismo compensatório, onde homens servem ao Poder e dele se servem.
Pintura retratando D. João I, o Mestre de Aviz.
Portugal foi o país que inaugurou a era dos regimes absolutistas na Europa, em 1385 com coroação de D. João I, o "Mestre de Aviz”, que usurpou o trono do outro D. João I, o "de Castela". Também foi onde o Absolutismo teve vida mais longa, sobrevivendo até a Constituição de 1838 embora seu declínio comece com a Constituição de 1822, resultado de Revolução Liberal de 1820. 
Pintura retratando a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil.
O privilégio era a base social do absolutismo. A pequena casta privilegiada pelo rei tinha, entre outras regalias, acesso exclusivo a cargos e tribunais e penas especiais, muito parecidos com os privilégios atuais da nossa classe política.
Sedes do Poder Legislativo brasileiro - Brasília - DF.
Quanto mais próximo e aliado ao governo central é um político, mais privilégios ele tem. Alguns partidos têm tradição de gravitar em torno do Poder e alguns de seus membros mais conhecidos movem-se com agilidade nesse charco, porquanto são acostumados na troca de legenda, sempre que as vantagens (leia-se privilégios) se apresentam.
Sede do Poder Executivo - Brasília DF.
O Poder Central depende da aliança com tais partidos e apóia de forma indecomponível todos os seus “caciques”; estes e seus pares sabem disso e se servem do poder com a voracidade de famintos diante de uma mesa farta. Tudo é permitido; não há punições; histórias medonhas se repetem na Câmara, no Senado, nas casas legislativas estaduais e municipais e nos executivos dos três níveis; rios de dinheiro correm por uma rede subterrânea de destino duvidoso; o país se esvai numa hemorragia que não há torniquete que estanque. Tudo isso acontece sob o manto leniente do Judiciário.
Sede do Poder Judiciário - Brasília DF.
Como nos tempos do absolutismo, os membros dessa pequena casta de privilegiados se locupletam a custa do sacrifício de quase toda população.
Publicação do Cartunista Novaes sobre o tema Corrupção no Brasil.
A democracia, pelo menos como a conhecemos hoje, cá entre nós, não se sustenta por si só e é um sistema falido, só não desmoronando devido à alta dose de tolerância da sociedade constituída. Praticada da forma que é, tem serventia mesmo é para a perpetuação desses episódios, escritos pelo que há de mais expoente na vileza nacional.

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